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Cheia de charme e meiguice, Adriana Lima fala nesta entrevista sobre o seu dia-a-dia em Nova York, onde mora há oito anos. Diz que adora
cozinhar para os amigos e sair para jantar com as tops Ana Beatriz Barros e Alessandra Ambrósio. "Não existe essa coisa da modelo tentar
acabar com a outra, quebrar o sapato, rasgar o vestido, não existe. Não há briga", diz Adriana, que está praticando boxe.
De férias em Salvador, de onde parte no próximo dia 15 para fotografar o catálogo de maiôs da Victoria’s Secret e gravar comercial de
tevê para a Maybeline, a top conta que adora música baiana. "Quero passar o Carnaval aqui". Adriana, que completa 23 anos no próximo dia
12 de junho, também comenta os trabalhos mais recentes e derrete-se ao falar sobre o estilista Azzedine Allaia. Ela foi musa da coleção
mais recente do franco-tunisiano em Paris e o desfile deve acontecer no próximo mês de abril. A toda linda conta que pretende seguir a
carreira de atriz e quer trabalhar mais no Brasil. "O Al Pacino me convidou para fazer o filme Simone, mas não me senti preparada. Quero
estudar".
BAZAR - Você se sente baiana em qualquer lugar, seja em Paris, Nova York ou Milão?
ADRIANA LIMA - Eu sou baiana em todos os cantos mas, principalmente, quando eu volto para a Bahia, para as minhas raízes. Onde eu estiver, eu cozinho. Vou a algum supermercado que venda produtos do Brasil e compro azeite-de-dendê para fazer comida baiana. Quando eu começo a dançar, todo mundo fica olhando.
B - Você aprendeu a cozinhar com quem?
AL - Com a minha avó. Desde pequena, aos 6 anos. Eu até lembrei, recentemente, que cozinhei para a minha mãe no dia do aniversário dela,
quando tinha 10 anos, um nhoque. Preparei a massa com a mão.
B - E você tem escutado música baiana?
AL - A minha cantora favorita é a Daniela Mercury. Eu fico louca, quando eu a escuto. Sempre quando eu venho, descubro coisas novas. Comprei recentemente uma coletânea com músicas da Bahia.
B - Você vem ao Carnaval?
AL - Eu quero passar o Carnaval em Salvador, mas dependo das datas de dois contratos. Fico ligando para a minha mãe durante o Carnaval,
pedindo para escutar os trios elétricos.
B - Que contratos são estes?
AL - Tenho trabalhos marcados para a Maybeline (marca de cosmético) e Victoria’s Secret (marca de lingerie), mas não posso comentar os
novos contratos, porque ainda estão em processo. Também tem relação com a superstição. Coisa de baiano.
B - É diferente desfilar para a Victoria’s Secret?
AL - Além do dinheiro, a mídia que eles têm nos Estados Unidos. Dos clientes que já trabalhei, eles são os que têm a mídia maior.
Eles te colocam no topo, mesmo que a modelo seja uma new face. Desde que a modelo tenha a cara da marca. Eles te tratam como um diamante. Não me sinto envergonhada de desfilar com lingerie, porque há muito respeito. Eles passam uma energia boa, com tratamento igual a todas as modelos.
B - A impressão é de que você é a favorita. Até no filme Exterminador do futuro 2, você aparece num outdoor da marca...
AL - (Risos) Eu trabalho muito para eles.
B - Você até participou de um curta-metragem para a BMW, dirigido pelo Wong Kar-Wai...
AL - Foi com o Clive Owen e o Mickey Rourke. Eu faço a esposa que apanha do Rourke. Eu fujo e venho para o Brasil (risos).
B - No filme, você está com os cabelos encaracolados. Pretende voltar a usá-lo assim?
AL - Eu quero usar, mas como eu fiz relaxamento, vou ter que esperar o cabelo crescer. Para aparecer os cachos, vai demorar.
Eles preferem escovado.
B - Você vai participar dos desfiles da São Paulo Fashion Week e Fashion Rio este mês?
AL - Eu não sei. Sempre faço os de Verão. Tenho o catálogo de maiôs e biquínis da Victoria´s Secret para fazer agora nas Ilhas Virgens,
no Caribe, no dia 15. Trabalho quatro dias e depois volto para Nova York, onde gravo um comercial para a Maybeline.
B - E quanto ao filme que você iria fazer?
AL - Eu fui convidada pelo Al Pacino para fazer o filme Simone (história de uma modelo virtual), mas renunciei. Não me senti preparada.
Quero ser atriz no futuro. Eu quero estudar. E, falando francamente, eu quero ser atriz no Brasil.
B - Depois de morar nos EUA há oito anos, você pretende morar no Brasil?
AL - Penso em morar no Brasil, mas não sei quando, porque tenho muito trabalho lá fora. Quero trabalhar mais aqui. A minha agência é
muito possessiva. Eles têm ciúme de mim. Quando eu vou para a França, eles odeiam. As duas agências (DNA, nos EUA, e Viva, na Europa, e
no Brasil, a Elite) ficam brigando.
B - E essa sensualidade é coisa da Bahia?
AL - Eu acho que está na pele. Tem que ser da Bahia. Tem diferença no jeito de dançar, sorrir, lidar com as pessoas. Teve uma época que
eu não queria ser tão sensual, mas eu tenho que aceitar. Deus me deu essa dádiva.
B - As modelos brasileiras ainda são as favoritas?
AL - Na minha opinião, sim. As modelos brasileiras ainda continuam trabalhando muito. Senão, eu já teria voltado para o Brasil, assim
como a Gisele e a Fernanda, por exemplo.
B - Existe muita inveja entre as modelos?
AL - Não, essa coisa da modelo tentar acabar com a outra, quebrar o sapato, rasgar o vestido, não existe. Não há briga.
B - Você convive com as outras tops brasileiras?
AL - Sempre que posso, saio para jantar com a Ana Beatriz (Barros), com a Alessandra Ambrósio, a Isabeli Fontana. São as mais próximas.
Os meus amigos falam que, de todas as modelos de mesma nacionalidade, as brasileiras são as mais unidas. Quando trabalhamos juntas, nós
cantamos, dançamos e nos divertimos muito.
B - Do que você sente mais falta quando está no exterior?
AL - Além da minha mãe e da família... (pensativa) Do sol! (risos). Amo o sol, o calor da Bahia, a comida, as pessoas.
B - E quanto ao trabalho com o estilista franco-tunisiano Azzedine Allaia, para quem você posou como musa em Paris no ano passado?
AL - O desfile ainda não aconteceu. Ele ainda não terminou a coleção. Ele não faz desfile na mesma temporada que os outros estilistas.
Ele faz quando ele quer os desfiles. Deve ser em abril, mas não tenho certeza. A coleção foi toda feita no meu corpo. Fiquei um mês no
ateliê dele. Foi incrível. De todos os estilistas com quem trabalhei, ele foi o mais impressionante. Ele faz tudo: corta, costura,
desenha. Ele até cozinhou para mim um dia (risos). Quando eu for uma senhora, vou usar todas as roupas dele.
B - Você está muito longe de ser uma senhora, mas o casamento está perto?
AL - Eu ainda não programei nada, mas eu quero casar e ter filhos.
B - Está apaixonada?
AL - Sim, eu estou (suspira).
B - E o fim do relacionamento com o cantor Lenny Kravitz?
AL - Ele é uma pessoa muito amistosa. Trata todas as pessoas muito bem, de forma igual. Desde a pessoa que limpa a casa até o empresário
dele. Tem um coração bom. Infelizmente, o nosso relacionamento não deu certo, mas é normal. Não guardo rancor dele, nem ele de mim.
B - Há quanto tempo você está com o príncipe Vincent?
AL - Estou com ele há um ano, mas o conheci há dois anos em Paris.
E no Brasil, do que você gosta?
AL - A moda do Brasil está crescendo muito. Não gosto de falar em apenas um nome. O Tufi Duek e o Carlos Miele abriram lojas em Nova York.
B - Qual a cor dos seus olhos?
AL - Acho que são azuis. (Interrompe para perguntar à mãe qual a cor dos olhos). Olha, nem eu sei. (risos).
B - Você canta?
AL - Só no chuveiro (risos). Não dá. Mas estou tomando aulas de piano.
B - Ainda tem contato com a sua turma da época em que era adolescente?
AL - Um exemplo é a Ilde Silva (atriz global). Nos conhecemos desde pequenas. Estou muito contente por ela. É uma pessoa maravilhosa.
Somos superamigas.
B - Salvador mudou muito?
AL - A cidade está mais bonita e mais limpa, mas eu acho que eu tenho que sair mais, menino. Eu fico muito em casa.
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