| • Tudo que voce quer saber sobre Miss Lima |
| Revista Isto é Gente - Agosto 2003 |
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A princesa da moda
Namorada de um príncipe europeu e com previsão de lucrar R$ 50 milhões neste ano, Adriana Lima conta pela primeira vez por que terminou com Lenny Kravitz, o rock star mais cobiçado do planeta. Ela morou dois anos com Lenny Kravitz, que, depois de ficar sozinho, estaria hoje com Nicole Kidman. Recusou o pedido de casamento de um dos rock stars mais cobiçados do planeta para depois trocá-lo pelo príncipe de Liechtenstein, Wenzeslaus von und zu Liechtenstein, integrante de uma das mais ricas famílias reais européias. Aos 22 anos, sete de carreira, é a maior aposta da agência Elite e, em 2003, deve faturar cerca de R$ 50 milhões. Por dia de trabalho em publicidade cobra R$ 90 mil. Mas a fama tem seu preço e, no caso de Adriana Lima, a cobrança vem em forma de uma rotina estressante de viagens e compromissos que a impossibilitam de visitar a família durante meses ou mesmo chamar algum lugar de lar. “O ano inteiro minhas roupas ficam dentro de uma mala. Minha casa é dentro de um avião”, reclama a modelo. “Mas adoro estar em lugares diferentes, de não saber o que vai acontecer amanhã. Não tem como não gostar: vejo a cultura de outros países com meus próprios olhos e conheço pessoas interessantíssimas.” E põe interessante nisso. Foi em um ensaio para a revista norte-americana Vibe, em março de 2001, que ela conhe- ceu Lenny Kravitz. Na época, Adriana ainda namorava o fotógrafo argentino Estevan Calcano, mas o roqueiro não sossegou enquanto não conquistou o coração da brasileira. Aproximou-se como amigo para em seguida confessar-se perdidamente apaixonado – a ponto de pedir a moça em casamento. “Não vou entrar em detalhes, mas houve o pedido, sim”, revela, pela primeira vez, Adriana Lima, que declinou do convite, mas mudou-se para a casa do astro. Os dois engataram então um romance que durou dois anos. Segundo amigos, o casal tinha muito em comum e se dava bem. Embora tentassem manter a relação o mais distante possível da mídia, foram flagrados juntos algumas vezes, a maioria delas quando Lenny Kravitz ia buscar Adriana ao final de desfiles. A história deles também tinha cenas típicas de um namoro comum, mas com personagens famosos. Como quando Steve Tyler, vocalista do Aerosmith e um dos maiores conquistadores da história do rock, convidou Adriana para estrelar um videoclipe da banda. “Lenny ficou com ciúmes e acabei não fazendo”, conta a top. O relacionamento do casal chegou ao fim em abril deste ano. “É passado e o que é passado ficou para trás”, diz, segura, a modelo. “Lenny é uma pessoa muito legal e atenciosa, mas, infelizmente, não deu certo. Pelo meu trabalho, que é muito movimentado, e pelo trabalho dele, que também é”, completa. Pessoas próximas, no entanto, confirmam que a decisão de terminar partiu da modelo. “Adriana estava em um dilema. O Lenny era um cara muito bacana mas não era o homem da vida dela. Ela me disse que quando descobriu isso, resolveu sair fora”, diz um amigo do casal. Contrariado, o roqueiro aceitou a decisão dela. “Somos amigos”, insiste Adriana, antes de fazer uma ressalva. “Na verdade, não nos falamos mais. Mas saímos (terminamos) bem.” Desde então, Adriana tem sido vista ao redor do mundo na companhia do príncipe Wenzeslaus, de Liechtenstein, a quem chama carinhosamente de Vince. Ele acompanhou-a, inclusive, a uma sessão de fotos nas remotas ilhas Maldivas, no Oceano Índico. Embora o país, situado nos alpes centrais, não tenha mais do que 160 quilômetros quadrados, a família real de Liechtenstein é uma das mais antigas e ricas da Europa. Wenzeslaus tem 29 anos, é sobrinho do príncipe regente, Hans-Adam II, e mora em Paris. Os dois se conhecem desde a época que ela namorava Lenny Kravitz. Foram apresentados por um amigo, baiano, em comum, que também vive na França. Apaixonado por Adriana, que no princípio não tinha grandes expectativas em relação a ele, Wenzeslaus esperou a brasileira ficar solteira para mais uma vez declarar-se para ela. Desta vez, deu certo. Além de um príncipe de verdade, a vida de princesa de Adriana Lima inclui um apartamento novo em Nova York, adquirido em fevereiro, no 33º andar de uma moderna construção. “Por fora, o apartamento é todo de vidro. O que eu mais gosto é da vista. Dá para ver Manhattan, a Estátua da Liberdade e uma pontinha do Central Park”, descreve, entusiasmada. Ela diz que não gosta de fazer planos para o futuro, mas vislumbra uma carreira de atriz para quando abandonar as passarelas – o que não tem prazo para fazer. “Não é o momento certo para começar a atuar”, despista Adriana, que participou de um curta-metragem da BMW no qual contracenou com o ator Mickey Rourke. Quando desembarcou pela primeira vez em Nova York, então com 15 anos, Adriana não imaginava nem em seus mais secretos sonhos que aquela pouco amistosa metrópole seria sua base de lançamento para o mundo. O medo e o desconhecimento completo da língua inglesa afastavam qualquer possibilidade de interação da bela morena com a cosmopolita capital e seus habitantes. “O que eu mais reparava é que todo mundo tinha um carrão”, lembra. Adriana Lima, que se divertia com o jeito de os nova-iorquinos se vestirem. “Era verão e os homens usavam short cargo curto, tênis e aqueles óculos espelhados. Achei muito cafona”, conta a modelo, que foi para os Estados Unidos para participar da final do concurso Supermodels, em Miami, após vencer a seletiva nacional. Ficou em segundo lugar e recebeu convite para uma semana de trabalho em Nova York. “Não queria aceitar, mas minha mãe disse que poderia ser a oportunidade de minha vida. Fui pensando em ficar uma semana e voltar para o Brasil”, lembra. Mas as propostas de trabalho passaram a surgir de todos os lados e ela veio para casa apenas para buscar suas coisas. A top model já está em Nova York há quase sete anos. A longo prazo, ela sonha em voltar a morar no Brasil. Pode ser na fazenda que ela acaba de adquirir a 96 quilômetros de Salvador. “Na verdade, quero escolher dois lugares, passar seis meses em cada um”, conta. A vida americana é bem diferente da realidade em que Adriana nasceu e cresceu na periferia de Salvador, no bairro de Castelo Branco. Aos seis meses de idade, foi abandonada pelo pai Nelson Torres, que, sem maiores explicações, deixou a casa onde morava com a filha e a esposa. A assistente social Maria das Graças Lima teve de arregaçar as mangas e ir à luta. “Não tive dificuldade. Nunca esperei, sempre corri atrás do que quis”, diz. Sozinha, ela criou Adriana e nunca deixou lhe faltar nada. O pai nunca deu um tostão ou um presente para Adriana. As dificuldades construíram uma amizade sólida que vai além da relação mãe e filha. Quando Adriana teve de ir a Nova York, porém, Maria das Graças, que sustentava também os avós, ficou. Nessa época teve que reencontrar o marido para que ele assinasse um documento que permitia à filha menor de idade viajar para o Exterior. Foi na porta de um cartório que Adriana viu o pai, cena que se repetiria poucas vezes. Ficou indiferente. Hoje, a modelo garante que não guarda ressentimentos. “Não tenho mágoa, não. Tudo nessa vida tem um motivo. Tinha de ser assim.” Nos Estados Unidos, em poucos meses, a vida de Adriana deu uma guinada. Dispensou a professora particular e aprendeu inglês por conta própria, à base de horas e horas passadas em frente ao aparelho de tevê. Desobedeceu ordens e mudou-se da casa da dona da Ford Models para a da modelo brasileira Elizabeth di Paola. Devorava livros e acumulou conhecimento sobre moda. Paralelamente, seu status crescia na mesma proporção que o saldo da conta bancária. Hoje, a América está dominada pela beleza brasileira de Adriana Lima. Dos oito contratos que mantém, dois se destacam: o recém-assinado com a Maybelline (uma das maiores companhias de cosméticos do mundo), pela qual embolsará cerca de R$ 15 milhões anuais, e o acordo com a Victoria’s Secret – renovado neste ano, o acerto com a marca americana de lingerie inclui exclusividade internacional e renderá à modelo R$ 18 milhões a cada doze meses. “O pessoal da Victoria’s Secret é a minha família nova-iorquina. Cuidam de mim dentro e fora do trabalho. E me respeitam muito. Fotografo quase todo dia com eles de calcinha e sutiã e me sinto totalmente confortável.” Entre os estilistas de primeira linha, Adriana também alcançou o nível de superestrela. Já desfilou para Armani, Gucci, Valentino, Ralph Lauren, Chanel e Lacroix. Recentemente, apresentou sozinha a coleção outono-inverno 2004 de Versace, em um hotel em Paris – motivo pelo qual dispen- sou a última SP Fashion Week. Foi também a musa inspiradora da última coleção do estilista argelino Azedine Alaya. O sócio-diretor da agência Elite no Brasil, José Augusto Novaes, explica a razão de tamanho sucesso: “O diferencial de Adriana é o tempero baiano. Ela é apimentada”, arrisca. “Adriana sempre teve estilo pró- prio, ainda que esteja na contramão. Ela é autêntica, transmite uma mensagem verdadeira.” |