• Tudo que voce quer saber sobre Miss Lima
        Revista Quem Acontece Julho 2005
Adriana Lima: o que é que a baiana tem

Depois de três anos sem colocar os pés em passarelas brasileiras, a mais nova integrante da lista dos mais poderosos da Forbes volta à capital paulista para a edição comemorativa de dez anos da SÃO PAULO FASHION WEEK.

Não é difícil entender por que Adriana Lima se tornou, em dez anos de carreira, uma das modelos mais requisitadas do mundo da moda. Se em fotos e comerciais ela tem uma beleza de fazer inveja a qualquer mortal, pessoalmente é ainda mais deslumbrante. Os lábios carnudos, a pele morena, o nariz arrebitado, os olhos azuis-turquesa e um carisma inexplicável encantam – e rendem milhões. Adriana é garota-propaganda da Victoria’s Secret, da Tim italiana e da Maybelline New York, marcas para as quais empresta suas curvas em troca de muito, muito dinheiro. A garota odeia falar sobre valores, mas em 2005 debutou na lista das cem celebridades mais poderosas do mundo da revista Forbes. Só nos últimos 12 meses, Adriana faturou, segundo a publicação, US$ 4,5 milhões (cerca de R$ 11,2 milhões). Os únicos outros dois brasileiros a entrar no seleto rol de artistas milionários são o jogador Ronaldo e a modelo Gisele Bündchen.
Sempre avessa a entrevistas, Adriana Lima abriu uma exceção para a equipe de reportagem de QUEM, que acompanhou, com exclusividade, um dia na vida da top, que quebrou um jejum de três anos sem desfilar no Brasil. Na semana passada, ela veio ao país participar da São Paulo Fashion Week. Entre um descanso rápido no hotel em que se hospedou, uma visita ao cabeleireiro e muitas provas de roupas para os desfiles, ela falou sobre amor, família, carreira e como mantém o corpo em forma.

CARREIRA E FUTURO. Apesar de muito jovem, Adriana se esquiva quando o assunto é a idade. “Prefiro não responder quantos anos eu tenho”, diz ela que, segundo sua agência no Brasil, Lumiére, tem 24 anos. “Estou nesse mercado há dez anos e continuo trabalhando muito. Aliás, a cada dia que passa a procura aumenta, não tenho do que reclamar”, resume. Musa da atualidade na Itália, onde estrela o comercial da Tim, e contratada da Victoria’s Secret há cinco anos, ela jura não entender o motivo de tanto sucesso: “Não sei se estava no lugar certo, na hora certa. Foi mesmo um presente de Deus.” Nascida em Salvador, a top conta que iniciou no mundo fashion da mesma maneira que a grande maioria das modelos. “Estava na escola e uma amiga quis se inscrever em um concur-so de uma agência. Eu não tinha idéia do que era ser modelo, não conhecia nenhuma top. Acabei entrando por insistência dela”, diz. “E aí fui passando para as outras fases, mas a amiga ficou pelo caminho. Até que cheguei ao primeiro lugar no Brasil. E fui vice-campeã na final mundial, em Miami.” Sempre acompanhada da mãe, Graça, logo Adriana mudou-se para os Estados Unidos. “A condição para eu ir é que ela fosse junto. Não ia agüentar de saudades. Tudo aconteceu muito rápido, e de repente eu fui man-dada para fora do Brasil. Pensei: ‘se é para escolher essa vida, então tem que valer a pena. Não quero ter apenas um lindo book de fotos para mostrar para meus filhos como fui linda. Já que estou nessa, quero ganhar muito dinheiro’”, conta. Tudo o que ganha é aplicado em imóveis e fundos de investimento. “Tenho um projeto para daqui alguns anos, mas não quero falar agora. Dá azar”, diz. Por enquanto, Adriana continua trabalhando como modelo, mas já ensaia um namoro com a câmera de vídeo. “Recebi alguns roteiros e adoro interpretar. É mais sutil do que posar ou desfilar. Mas, quando faço alguma coisa, gosto de me dedicar 100%. E agora o trabalho na moda me exige muito. Tanto que fiquei três anos sem desfilar no Brasil”, diz. “Quase não desfilo mais, aliás. As campanhas e os ensaios me exigem demais. Mas estou feliz de voltar agora.”

NAMORO E CASAMENTO. Ela não gosta de dar entrevistas, pois teme perguntas sobre sua vida pessoal. É até compreensível: ela teve apenas três namoros longos, dois deles com homens muito famosos. O primeiro, com o cantor Lenny Kravitz, durou dois anos – e a fez conhecida no mundo inteiro. Os dois chegaram a morar juntos em Nova York. O segundo já virou noivado e teve início em 2003: Adriana namora o príncipe Wenzeslaus de Liechtenstein, um pequeno e bilionário principado europeu. Ele costuma acompanhar a top em seus trabalhos pelo mundo e até veio ao Brasil passar o réveillon, na Bahia. O namoro com Lenny teria terminado, segundo boatos que surgiram na época, porque Adriana se encantou com Vince, apelido de Wenzeslaus. “Não gosto de falar sobre meu namoro, sabe? Tira o foco do meu trabalho. Mas posso dizer que estou, sim, muito feliz na minha vida afetiva. Vivo uma fase muito boa”, conta. Quando começou a namorar o príncipe, Adriana mudouse de Nova York – cidade em que mais trabalha no ano – para Paris. Bem mais perto, diga-se de passagem, de Wenzeslaus. Mas ela disfarça o motivo: “Adoro Paris. É a cidade que escolhi para morar. Adoro a arquitetura e a cultura de lá. E a comida também, é claro.”Se existem planos próximos da plebéia virar princesa? “Casamento e filhos são duas coisas que sempre me vieram à cabeça, desde criança. Mas não penso nisso para agora. Ainda tenho tempo”, garante.

CORPO E MENTE. A perfeição estética da modelo, jura ela, é resultado de nenhum sacrifício. “Não faço nenhum esforço para ficar magra. Como de tudo, não tenho tempo para fazer exercício. Trabalho 12 horas por dia, não vou ficar acordando às 5h da manhã para ir à academia. Foi Deus que me deu esse corpo. E os meus genes”, diz. “Acho que o segredo é ser 100% baiana. Meus pais são baianos, meus avós, meus bisavós. Deve ter alguma mistura, é claro, mas esse é o segredo.” Boa parte de seu tempo é ocupado por sessões de fotos para a Victoria’s Secret, marca de roupa íntima que é o objeto de desejo de dez entre dez modelos. “Sempre me senti muito à vontade com eles. A equipe da VS me viu crescer, comecei novinha. Não tenho o menor problema em vestir lingerie e biquínis na frente deles. Somos quase uma família”, exagera. A única coisa que Adriana faz questão é visitar a mãe sempre que possível, com uma freqüência de uma vez a cada dois ou três meses. “Às vezes tiro quatro dias de folga só para ficar com ela em Salvador.” Já os momentos de lazer e diversão são muito bem planejados – e esperados. “Tenho um mês de férias. Tiro sempre em agosto. Desapareço, ninguém me encontra, nem minha agência. E nunca conto para onde vou viajar”, diz. Mas, logo depois, entrega um possível destino: “Conheço muitos países, mas nunca fui para o Japão nem para a China. Tenho muita vontade de visitar esses dois lugares.” Garotos, a dica está dada.